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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

O LUGAR DO DESENHO NA OFICINA TERAPÊUTICA


O LUGAR DO DESENHO NA OFICINA TERAPÊUTICA DE AUTOCUIDADO

A folha em branco, como a vida
Se desdobra em infinitas possibilidades de expressão
De si,
Por si
Em si.

O traço que não é só cor
Pode ser demonstração de
força ou leveza
Insegurança ou presteza
Clareza ou indecisão

O risco
Que pode ser
Dinâmico ou fixo
Rígido ou maleável
Movimento ou estabilidade
Não precisa
Ser uma coisa ou outra
Ele pode ser tudo junto
Numa coisa só:
Limite e liberdade
Espaço e tempo
Juntos
no traço
contando a sua verdade
Que se tornam transitórias
Quando através do tempo
Vemos nosso traço mudar,
se aperfeiçoar
E com ele também
O nosso olhar,
Sobre as coisas e a vida,
mudar.

A cor que não é só pigmento
É pensamento, sentimento
Crença, emoção
Quebras de prisão
Produção.

É luta, respeito, permissão
De errar, acertar, mudar
Criar, construir o olhar
Ou até mesmo "derrubar"
O que construímos quando com a borracha
Decidimos apagar

No desenho, concretizamos
Nossa visão de mundo
A peculiaridade do olhar
A singularidade do si
A permissão de olhar,
sonhar
E realizar.


@glendaalmeidapratt
Glenda Almeida Pratti
Psicóloga e Psicanalista

Facilitadora da oficina terapêutica "Autocuidado: Construindo atenção, gentileza, carinho e afeto consigo mesmo".
Data: 16/02/2020
14h-18h
Local: Espaço LUZ (Mata da Praia)
Maiores informações Whatsapp: 27 99818-0748

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Sobre o Autocuidado


O autocuidado diz respeito à um cuidado que é dirigido à própria pessoa no sentido de trazer para si, bem-estar, atenção, zelo, carinho, afeto. Contudo, autocuidado não está relacionado apenas ao uso de práticas de cuidado, mas também ao emprego delas em conjunto com a avaliação, identificação, medida e adequação das mesmas à realidade pessoal e às necessidades individuais da própria pessoa com vistas a trazer para si, prazer, satisfação, autonomia e equilibrio.

O autocuidado envolve a construção de uma relação de respeito, carinho e gentileza com o corpo e com os próprios limites, carências, necessidades, potencialidades, pensamentos, valores e sentimentos.

Nem sempre o modo como se entende o "cuidar de si" promove bem-estar, pois, o sentido do cuidar tem sido deturpado pelas demandas sociais de consumo e produção. De forma que, o cuidado tem sido assimilado superficialmente. O autocuidado deixa de ser cuidado quando este é realizado de um modo que tem como objetivo outros fins que não o de bem-estar pessoal, trazendo por sua vez dependência, insegurança, desequilibrio e sofrimento.

Por exemplo, cuidar não é controlar, embora, certo nivel de controle faça parte de âmbitos do cuidado; nesse sentido, controlar a alimentação pode ou não ser considerado um comportamento de cuidado dependendo do contexto, das motivações assumidas e do modo como o controle é feito.

Não é raro chegar aos consultórios pessoas que socialmente alcançaram o lugar de bem sucedidos, mas passam os dias a suportar a vida por meio do uso de medicações em função de adoecimentos psicológicos oriundo desse esforço realizado para "cuidar" do próprio futuro; Há pessoas que são consideradas belas, atraentes por cuidarem bem da aparencia física do ponto de vista social, mas por dentro, sofrem com baixa autoestima, não se aceitam e se tornam dependentes da aceitação de outras pessoas sobre a sua imagem, daí a motivação do cuidado com a própria aparência; Há pais que se dedicam tanto para serem considerados "bons pais" que não percebem que seu modo de cuidar está machucando e trazendo sofrimento aos próprios filhos.

Esses são exemplos da deturpação do sentido de cuidado.

A noção de autocuidado vai além do cuidado estético, vai além da providência de recursos de sobrevivência, vai além das concepções sociais de sucesso, beleza e saúde.

Cada um traz consigo um passado, uma história pessoal. A partir dessa história pessoal, das experiências obtidas, mediações recebidas e reflexões sobre o passado, presente e os ideais existentes; construímos a nossa própria concepção de cuidar. É a partir delas que cuidamos de nós mesmos e dos outros.

Nessa perspectiva, faz se necessário  questionar: o que estamos identificando como incômodo, necessidade, carência? Como nós mesmos estamos tratando essas questões. Quais os recursos pessoais que cada um de nós lança mão para cuidar de si e dos outros?

Se o nosso jeito de cuidar estiver nos machucando, esgotando, trazendo sofrimento, mal-estar, culpa, dependência, desequilibrio, estresse; precisamos parar e pensar sobre COMO é esse modo de cuidar e O QUE estamos chamando de "cuidado".

Glenda A. Pratti
Psicóloga e Psicanalista