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domingo, 2 de fevereiro de 2020

Sobre o Autocuidado


O autocuidado diz respeito à um cuidado que é dirigido à própria pessoa no sentido de trazer para si, bem-estar, atenção, zelo, carinho, afeto. Contudo, autocuidado não está relacionado apenas ao uso de práticas de cuidado, mas também ao emprego delas em conjunto com a avaliação, identificação, medida e adequação das mesmas à realidade pessoal e às necessidades individuais da própria pessoa com vistas a trazer para si, prazer, satisfação, autonomia e equilibrio.

O autocuidado envolve a construção de uma relação de respeito, carinho e gentileza com o corpo e com os próprios limites, carências, necessidades, potencialidades, pensamentos, valores e sentimentos.

Nem sempre o modo como se entende o "cuidar de si" promove bem-estar, pois, o sentido do cuidar tem sido deturpado pelas demandas sociais de consumo e produção. De forma que, o cuidado tem sido assimilado superficialmente. O autocuidado deixa de ser cuidado quando este é realizado de um modo que tem como objetivo outros fins que não o de bem-estar pessoal, trazendo por sua vez dependência, insegurança, desequilibrio e sofrimento.

Por exemplo, cuidar não é controlar, embora, certo nivel de controle faça parte de âmbitos do cuidado; nesse sentido, controlar a alimentação pode ou não ser considerado um comportamento de cuidado dependendo do contexto, das motivações assumidas e do modo como o controle é feito.

Não é raro chegar aos consultórios pessoas que socialmente alcançaram o lugar de bem sucedidos, mas passam os dias a suportar a vida por meio do uso de medicações em função de adoecimentos psicológicos oriundo desse esforço realizado para "cuidar" do próprio futuro; Há pessoas que são consideradas belas, atraentes por cuidarem bem da aparencia física do ponto de vista social, mas por dentro, sofrem com baixa autoestima, não se aceitam e se tornam dependentes da aceitação de outras pessoas sobre a sua imagem, daí a motivação do cuidado com a própria aparência; Há pais que se dedicam tanto para serem considerados "bons pais" que não percebem que seu modo de cuidar está machucando e trazendo sofrimento aos próprios filhos.

Esses são exemplos da deturpação do sentido de cuidado.

A noção de autocuidado vai além do cuidado estético, vai além da providência de recursos de sobrevivência, vai além das concepções sociais de sucesso, beleza e saúde.

Cada um traz consigo um passado, uma história pessoal. A partir dessa história pessoal, das experiências obtidas, mediações recebidas e reflexões sobre o passado, presente e os ideais existentes; construímos a nossa própria concepção de cuidar. É a partir delas que cuidamos de nós mesmos e dos outros.

Nessa perspectiva, faz se necessário  questionar: o que estamos identificando como incômodo, necessidade, carência? Como nós mesmos estamos tratando essas questões. Quais os recursos pessoais que cada um de nós lança mão para cuidar de si e dos outros?

Se o nosso jeito de cuidar estiver nos machucando, esgotando, trazendo sofrimento, mal-estar, culpa, dependência, desequilibrio, estresse; precisamos parar e pensar sobre COMO é esse modo de cuidar e O QUE estamos chamando de "cuidado".

Glenda A. Pratti
Psicóloga e Psicanalista

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

EVENTO: OFICINA TERAPÊUTICA


Dia 16 de fevereiro, realizarei uma oficina terapêutica sobre as dimensões do autocuidado a partir do desenho, pintura, mosaico e escrita.

O principal objetivo das oficinas que já  desenvolvo há alguns anos é trabalhar dificuldades de expressão dos pensamentos, sentimentos e emoções; auxiliando cada participante a construir uma relação de atenção e cuidado com seus limites e potencialidades.

A oficina de autocuidado por sua vez, irá trabalhar a expressão como sendo uma condição para a percepção e tratamento das carências de autocuidado para que então, o participante se sinta livre para buscar os caminhos que possibilitarão a ele no futuro trabalhar suas questões e necessidades.

Dessa forma, meu objetivo é auxiliar os participantes a perceberem em si quais tem sido os modos de cuidar utilizados por eles em suas relações consigo e com os outros; e diante disso, trazer à reflexão se esses modos utilizados tem cumprido a função de produzir carinho, afeto, satisfação e prazer.
Para que todo um caminho de mudança  possa ser percorrido, o primeiro passo é permitir a si mesmo se expressar, para si mesmo em primeiro lugar!

Diante de uma folha em branco e a proposta de uma produção, muitos medos podem surgir:
Medo de errar, medo do que o outro vai falar, medo de não ser bom o suficiente, medo de ousar, medo de sair do lugar, medo de dar certo, medo de alcançar...

Não seriam esses os mesmos medos que nos tomam diante de uma possibilidade de mudança, desenvolvimento, aperfeiçoamento  ou busca de prazer!?

A oficina terapêutica é uma proposta de contato, reflexão, liberdade e construção a partir da abordagem desses medos.
A aposta é na possibilidade de elaboração de algumas questões que poderão ser os primeiros passos para a busca e construção de um percurso de vida mais autêntico e satisfatório.

Glenda Almeida Pratti
Psicóloga e Psicanalista

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Quais são seus sonhos?





Por: Glenda Almeida Pratti

Uma pergunta simples que para alguns, pode ser muito difícil de responder. É que nem sempre temos clareza do que sonhamos como algo bom para nós mesmos. Em meio a tantos discursos sociais, políticos, econômicos e até morais, sobre o que se deve ou não seguir na vida, fica difícil sustentar o próprio sonho. 


Nem sempre sonhamos com o que é considerado “normal” ou “padrão” de desejo em nossa sociedade. Às vezes, em uma família de advogados, eis que surge um filho cujo desejo, é ser cantor, ou abrir uma padaria. É como se essa pessoa tivesse quebrando uma regra, fazendo a coisa errada, descendo o nível. Mas... que regulação é essa de certo e errado? É o desejo de quem que está em jogo? 


Alguns, conseguem vencer as barreiras impostas e sustentam a sua causa. Já outros, não conseguem sair do conflito. O problema não é estar em conflito consigo mesmo ou com os outros - o conflito faz parte das relações, pois ninguém é igual a ninguém, sendo por isso comum, o choque de opiniões, de valores e comportamentos. O problema pode estar no modo como se lida com o conflito. Alguns, encaram de frente, mas não sem sofrimento e nem dificuldades. Tanto que às vezes, torna-se muito complicado “segurar a barra” sozinho. Outros recuam e embarcam nos sonhos dos outros durante toda uma vida - o que por si só, não é um problema também, depende de como a pessoa se vê nesse lugar; Mas há aqueles que não encaram e nem recuam, estes estão parados no mesmo lugar. 

Não se permitem dar um passo à frente, e nem aceitam recuar. Estão paralisados na linha de combate! Ou seja, na linha de conflito. Utilizando-se da metáfora da guerra, paralisar-se na linha de combate, é complicado e perigoso, pois você sofre ataque tanto dos “inimigos” quanto dos “aliados”.


Não é à toa que as pessoas usam a palavra “sonho” para falar de um grande desejo na vida. A representação de um sonho traz consigo a ideia de dificuldade e até de impossibilidade de realização para o momento em que se sonha. Por isso mesmo é tão difícil acreditar quando um sonho acontece ou se realiza. Os sonhos são pessoais; mesmo os semelhantes, possuem representações individuais. Desse modo, talvez não se trate da existência de um sonho fora do padrão, mas sim de uma representação de sonho fora do contexto do seu significado.