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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Reposicionar-se


Quando menciono sobre se reposicionar vida, muitas pessoas me perguntam como seria isso. Não há uma resposta certa para essa pergunta pois ela é muito singular. Mas basicamente se reposicionar implica em se situar na vida levando em consideração o seu momento presente: o quanto você já caminhou, onde se quer chegar e quanto caminho ainda precisa percorrer para chegar onde você quer. 

No entanto, observo que na maioria dos casos, quando há dificuldade em fazer esse movimento, o problema está em não ter clara uma diferenciação entre: 1) O que é importante; 2) O que é necessário; e 3) O que se quer.

Embora pareça uma diferenciação simples em um primeiro olhar, na prática, quando tentamos colocar em palavras o que pensamos não é tão simples assim.

Cada pessoa atribui desejo, necessidade e nível de importância a coisas diferentes, conforme sua história de vida e desenvolvimento. Nesse sentido, o que pode ser importante para um, pode não ser para outro. Até aí tudo bem! O problema começa quando passamos a confundir o que pensamos ou sentimos com aquilo que padrões, demandas sociais e expectativas de terceiros nos dizem sobre nós mesmos. Podendo assim, passar a vida tentando sanar necessidades que não temos, desejando o que não queremos e dando importância ao que nos é supérfluo.

Nesse sentido, o sofrimento psicológico é um indicador de que as coisas estão desorganizadas e desorientadas. Assim, um novo posicionamento frente a vida pode ser necessário.


Glenda Almeida Pratti

Psicóloga 

CRP 16/2363


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

O LUGAR DO DESENHO NA OFICINA TERAPÊUTICA


O LUGAR DO DESENHO NA OFICINA TERAPÊUTICA DE AUTOCUIDADO

A folha em branco, como a vida
Se desdobra em infinitas possibilidades de expressão
De si,
Por si
Em si.

O traço que não é só cor
Pode ser demonstração de
força ou leveza
Insegurança ou presteza
Clareza ou indecisão

O risco
Que pode ser
Dinâmico ou fixo
Rígido ou maleável
Movimento ou estabilidade
Não precisa
Ser uma coisa ou outra
Ele pode ser tudo junto
Numa coisa só:
Limite e liberdade
Espaço e tempo
Juntos
no traço
contando a sua verdade
Que se tornam transitórias
Quando através do tempo
Vemos nosso traço mudar,
se aperfeiçoar
E com ele também
O nosso olhar,
Sobre as coisas e a vida,
mudar.

A cor que não é só pigmento
É pensamento, sentimento
Crença, emoção
Quebras de prisão
Produção.

É luta, respeito, permissão
De errar, acertar, mudar
Criar, construir o olhar
Ou até mesmo "derrubar"
O que construímos quando com a borracha
Decidimos apagar

No desenho, concretizamos
Nossa visão de mundo
A peculiaridade do olhar
A singularidade do si
A permissão de olhar,
sonhar
E realizar.


@glendaalmeidapratt
Glenda Almeida Pratti
Psicóloga e Psicanalista

Facilitadora da oficina terapêutica "Autocuidado: Construindo atenção, gentileza, carinho e afeto consigo mesmo".
Data: 16/02/2020
14h-18h
Local: Espaço LUZ (Mata da Praia)
Maiores informações Whatsapp: 27 99818-0748

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Sobre o Autocuidado


O autocuidado diz respeito à um cuidado que é dirigido à própria pessoa no sentido de trazer para si, bem-estar, atenção, zelo, carinho, afeto. Contudo, autocuidado não está relacionado apenas ao uso de práticas de cuidado, mas também ao emprego delas em conjunto com a avaliação, identificação, medida e adequação das mesmas à realidade pessoal e às necessidades individuais da própria pessoa com vistas a trazer para si, prazer, satisfação, autonomia e equilibrio.

O autocuidado envolve a construção de uma relação de respeito, carinho e gentileza com o corpo e com os próprios limites, carências, necessidades, potencialidades, pensamentos, valores e sentimentos.

Nem sempre o modo como se entende o "cuidar de si" promove bem-estar, pois, o sentido do cuidar tem sido deturpado pelas demandas sociais de consumo e produção. De forma que, o cuidado tem sido assimilado superficialmente. O autocuidado deixa de ser cuidado quando este é realizado de um modo que tem como objetivo outros fins que não o de bem-estar pessoal, trazendo por sua vez dependência, insegurança, desequilibrio e sofrimento.

Por exemplo, cuidar não é controlar, embora, certo nivel de controle faça parte de âmbitos do cuidado; nesse sentido, controlar a alimentação pode ou não ser considerado um comportamento de cuidado dependendo do contexto, das motivações assumidas e do modo como o controle é feito.

Não é raro chegar aos consultórios pessoas que socialmente alcançaram o lugar de bem sucedidos, mas passam os dias a suportar a vida por meio do uso de medicações em função de adoecimentos psicológicos oriundo desse esforço realizado para "cuidar" do próprio futuro; Há pessoas que são consideradas belas, atraentes por cuidarem bem da aparencia física do ponto de vista social, mas por dentro, sofrem com baixa autoestima, não se aceitam e se tornam dependentes da aceitação de outras pessoas sobre a sua imagem, daí a motivação do cuidado com a própria aparência; Há pais que se dedicam tanto para serem considerados "bons pais" que não percebem que seu modo de cuidar está machucando e trazendo sofrimento aos próprios filhos.

Esses são exemplos da deturpação do sentido de cuidado.

A noção de autocuidado vai além do cuidado estético, vai além da providência de recursos de sobrevivência, vai além das concepções sociais de sucesso, beleza e saúde.

Cada um traz consigo um passado, uma história pessoal. A partir dessa história pessoal, das experiências obtidas, mediações recebidas e reflexões sobre o passado, presente e os ideais existentes; construímos a nossa própria concepção de cuidar. É a partir delas que cuidamos de nós mesmos e dos outros.

Nessa perspectiva, faz se necessário  questionar: o que estamos identificando como incômodo, necessidade, carência? Como nós mesmos estamos tratando essas questões. Quais os recursos pessoais que cada um de nós lança mão para cuidar de si e dos outros?

Se o nosso jeito de cuidar estiver nos machucando, esgotando, trazendo sofrimento, mal-estar, culpa, dependência, desequilibrio, estresse; precisamos parar e pensar sobre COMO é esse modo de cuidar e O QUE estamos chamando de "cuidado".

Glenda A. Pratti
Psicóloga e Psicanalista

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Sofrer por amor: Porque é tão difícil aceitar que acabou?




Por: Glenda Almeida Pratti

Viver um relacionamento não é tarefa fácil. Conhecer e conviver com as diferenças pode ser uma tarefa árdua e até insuportável, tanto que alguns preferem dar um basta a ter que lidar com os problemas consequentes do relacionamento. Contudo, quando se chega a esse ponto, não é sempre que os parceiros chegam ao consenso de que “o fim” é a melhor alternativa.

Inúmero são os motivos que podem fazer com que uma pessoa não aceite o fim de um relacionamento: há casos onde o ex-parceiro só consegue passar a investir na relação quando está prestes a perder o companheiro, daí a dificuldade em aceitar o fim; há outros em que a questão maior é a dificuldade de lidar com a interpretação de que o “não” do parceiro significa rejeição; em casos extremos não se aceita “o fim” por nutrir uma relação de posse ou dominação sobre o outro. O que esses casos têm em comum é a presença da dificuldade de lidar com a frustração.

É importante frisar que em geral, a raiz do problema se concentra nas questões pessoais do indivíduo que não aceita o término, porém, não podemos ignorar que para ser um relacionamento é necessária também a participação de uma outra pessoa. Isto é, os relacionamentos são construções entre indivíduos. Um relacionamento problemático ou corrosivo não se constrói sozinho, para se constituir como tal, é necessária a implicação das duas partes.

Aceitar um término é difícil por envolver sentimentos, crenças, valores e expectativas, porém isso não impede que alguns limites sejam preservados no que se refere ao próprio bem estar psicológico individual dos parceiros. A perda do respeito mútuo pode ser considerada um dos principais indicadores de que as coisas não estão bem. Essa perda de limite pode se revelar de várias formas, desde a invasão de privacidade até a presença de agressões verbais e físicas.

Respeitar a decisão do parceiro ou parceira não é uma opção, mas sim uma necessidade do relacionamento. Ninguém precisa aceitar nem concordar com as decisões e pensamentos das outras pessoas, mas precisa saber respeitá-las.

Um relacionamento saudável pode ter problemas desde que não falte diálogo. A ausência de diálogo é um indicador de que as coisas não estão bem e ainda podem ficar piores. O diálogo é o fundamento para qualquer relacionamento. Quando não há diálogo não dá para saber quais são os projetos ou expectativas; o que faz feliz ou triste; o que incomoda ou satisfaz; o que agrada ou traz desgosto; o que perturba ou tranquiliza; o que faz rir ou chorar; o que traz luz ou escuridão. Nesse monte de interrogações, como é possível se relacionar?

Só há um jeito de se ter acesso aos pensamentos e sentimentos de uma pessoa: através do diálogo. Se o outro não fala, ou se fala e você não escuta; não há troca, não há compartilhamento, consequentemente, não dá para saber como se colocar na relação, e finalmente, não há relacionamento, mas sim, um compartilhamento de espaço.

 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Sobre a indecisão

Por: Glenda Almeida Pratti

"O perfeito homem do mundo seria aquele que jamais hesitasse por indecisão e nunca agisse por precipitação".
Arthur Schopenhauer


Percebe-se que nos dias de hoje, a dúvida é vista como um sinal de fraqueza, característica daqueles que “não sabem o que querem da vida”. Ouvimos nas mídias em geral, os conselhos de especialistas dizendo que “as empresas estão buscando pessoas decididas” e que “sabem o que querem”, de modo que, para eles, desenvolver essa característica não é uma opção, mas sim “uma necessidade de mercado”.

Talvez, tenham razão. O mercado deve esperar por esse tipo de perfil profissional, até porque, imagine como seria para uma instituição ter em seu quadro profissionais que não consegue tomar decisões em momentos importantes para a empresa?

Mas e você? Que tipo de perfil prefere para se relacionar na sua vida pessoal? Para ter uma amizade ou para construir um relacionamento amoroso? Será que essa característica, tão difundida nas mídias é realmente primordial? Será que com o tempo não acabamos incorporando como valores para nossa vida pessoal os valores difundidos por uma visão utilitarista e comercial de mundo?

E as pessoas, são descartáveis? O que fazer com aquelas que não desenvolveram ou não nasceram com a característica de “ser uma pessoa decidida?" O que garante que uma vez indecisas, essas pessoas serão sempre assim? 

Vamos imaginar uma coisa: Como essa pessoa dita “indecisa” ou “confusa” pode desenvolver sua capacidade de tomar decisão se no mundo de hoje, não há espaço para a dúvida e para o não saber? 

O desenvolvimento de qualquer tipo de habilidade pressupõe um tempo para ocorrer. Aprendemos a tomar decisões quando adquirimos experiência e sabedoria. Saber tomar uma decisão é conseguir lidar com tudo aquilo que acompanha uma escolha. 

Quando decidimos alguma coisa, fazemos uma aposta com base nas nossas crenças, valores e expectativas. Não conseguir tomar decisões pode ser consequência de um conflito interno, por isso, é importante saber enxergar para além do que se vê, ou ainda, ouvir para além daquilo que os outros dizem que é bom pra nós. 

Saber tomar decisões não significa tomar decisões corretas. Saber tomar decisões tem mais a ver com compreender os desejos, motivações, expectativas envolvidas na escolha realizada.

Sabemos que noções como certo e errado são muito relativas. É importante se perguntar sobre o que significa para cada pessoa ter certezas. Será mesmo que na vida somos capazes de ter certeza das coisas antes de elas acontecerem? Quando o assunto é tomar  uma decisão será mesmo que é possível de ante mão saber se uma decisão é correta ou não? E as certezas, são fixas ou transitórias?Será que quando dizemos ter certeza de alguma coisa, nós a temos de verdade ou só acreditamos tê-la? Acreditar que se tem certeza é o mesmo que ter certeza? Nesse sentido, quando será que temos maior propensão a nos enganar, quando temos certeza ou quando temos dúvidas?

Ter dúvidas não é um problema, pois ninguém nasce sabendo. A construção do conhecimento e da sabedoria ocorrem com o tempo e a experiência. O problema é achar que a solução para as coisas é não ter dúvidas. Será que não ter dúvidas é um caminho possível de seguir no mundo real? 

A dúvida e o não saber são estados possíveis de ocorrer em qualquer tipo de situação. Eles podem ser transitórios, podendo ser superados com dificuldade ou facilidade dependendo do contexto; mas também podem ser uma realidade dentro de uma situação específica. 

É muito importante conseguir lidar com a falta, pois os problemas da vida não se resumem a saber ou não sobre uma determinada coisa. Em algumas situações podemos ter respostas, opiniões e ainda assim, não estarmos seguros para expressá-los ou simplesmente, podemos não ter uma resposta para dar em um determinado momento, o que não quer dizer que não a teremos no futuro. 

A convicção ferrenha pode ocultar uma grande insegurança de expor as próprias faltas, daí a tentativa de preencher todas as lacunas com respostas prontas ou certezas absolutas; justamente para não parecer aos olhos dos outros uma pessoa fraca. Contudo, ter dúvidas ou não saber tudo por si só em nada estão relacionados com fraqueza ou algo do tipo. Não saber ou ter dúvidas são estados importantes para o desenvolvimento humano pois eles nos impulsionam a buscar ou construir compreensões sobre a realidade. Já as certezas absolutas nos paralisam e impedem de imaginar e criar novas realidades possíveis.









segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Avaliação psicológica no contexto de cirurgia bariátrica


Por: Glenda Almeida Pratti




A avaliação psicológica de pacientes candidatos à cirurgia bariátrica é uma prática recente e necessária. A presença obrigatória de psicólogos em equipes de cirurgia bariátrica foi oficialmente instituída por meio da resolução nº 1766/05 do Conselho Federal de Medicina. Esse procedimento de avaliação tem como função verificar as condições psicológicas do candidato à cirurgia analisando se o mesmo encontra-se apto a lidar com as mudanças às quais será submetido na fase pré e pós-cirúrgica. Muitos pacientes não sabem que a avaliação psicológica realizada para esse fim vai muito além da identificação da aptidão momentânea para a cirurgia. 

A cirurgia bariátrica é uma intervenção realizada no aparelho digestivo para reduzir o reservatório gástrico. É um procedimento indicado a pacientes para o tratamento da obesidade visando a redução de peso. Esse tipo de intervenção acarreta numa reorganização da vida da pessoa em grandes proporções impondo a ela, dentre outras mudanças, uma nova rotina de hábitos cotidianos que começam no período pré-cirúrgico e se estendem durante toda a vida, além de interferir na imagem corporal que a pessoa tem de si. Essas mudanças incluem alterações no modo como a pessoa lida com o próprio corpo, com a comida, com o prazer e também no modo como se relaciona com as outras pessoas. Alterações essas que nem sempre são fáceis de realizar, mas principalmente, não são fáceis de sustentar da forma necessária. Assim, avaliação psicológica tem como finalidade identificar se o paciente em questão reúne recursos psicológicos para lidar com todas as etapas desse processo. 

Desse modo, a indicação é de que o paciente, candidato à cirurgia, receba acompanhamento psicológico em todas as etapas do processo e não apenas na fase anterior à cirurgia. Isso significa dizer que a avaliação não termina após a identificação da aptidão inicial do paciente para a intervenção e deve se estender para o período pós-cirúrgico, no qual se encontram os maiores desafios.

A forma como é realizada a avaliação psicológica para cirurgia bariátrica pode variar de acordo com o profissional. Em geral, a primeira fase de avaliação é realizada em algumas sessões, no entanto, o acompanhamento deve ser continuado durante todas as fases do processo. Ressalta-se também que o intercâmbio entre os profissionais que estão acompanhando o paciente (médicos, nutricionistas, psicólogos etc.) é indispensável.

O ganho de peso muitas vezes está ligado a causas emocionais e afetivas e não necessariamente a um descontrole comportamental como alguns creem. O ganho de peso pode ser relacionado ao modo como se lida com o prazer, a frustração e/ou a angustia. Sendo assim, a submissão a uma cirurgia complexa como a bariátrica sem o suporte profissional continuado necessário para trabalhar as questões psicológicas ligadas ao ganho de peso não é indicada.