quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Quando procurar atendimento psicológico?


Por: Glenda Almeida Pratti



Durante muito tempo o atendimento psicológico foi estigmatizado como sendo “coisa para doido” ou “perda de tempo”. Hoje a situação já se mostra diferente e essa percepção tem sido modificada. Aos poucos as pessoas estão construindo o entendimento de que existem tipos diferenciados de atendimento psicológico que se destinam a cumprir fins específicos, tais como para avaliação de risco em algumas cirurgias, avaliação da capacitação para execução de algumas atividades, orientação vocacional dentre outros. Portanto, o atendimento clínico é uma das modalidades de atendimento e não a única, e mesmo assim, nem todo atendimento clínico está relacionado à “doença” ou “transtornos”.


Algumas pessoas procuram fazer acompanhamento psicológico por sentirem dificuldades ao lidar com algumas questões ou situações que estão vivenciando ou já vivenciaram; outras buscam atendimento como auxilio para a compreensão de sentimentos e sensações; há aquelas que procuram atendimento pela necessidade de expressar sentimentos, afetos e pensamentos; e por fim, há aqueles que procuram atendimento por orientação de outra pessoa tais como familiares, profissionais de outra área (médico, professor etc.) ou mesmo de instituições (trabalho, instituições educacionais).


Dessa forma, o suporte psicológico pode ser uma alternativa válida para ajudar a enfrentar ou a compreender algumas situações que trazem sofrimento, desconforto, angústia, ansiedade ou stress para aqueles que as vivenciam. 


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O autismo

Por: Glenda Almeida Pratti


Talvez o leitor ao chegar a essa página tenha construído como expectativa de ler sobre algum tipo de definição, descrição de tratamento ou de causas para o transtorno. Lamento lhes informar que esse não é o objetivo desse texto!

Esse texto falará de várias coisas, dentre elas, de um certo olhar...

Um olhar que atravessa o horizonte, que embora tão perto fisicamente, sinaliza estar muito longe. Longe daqui, longe dali, longe de tudo. Mas que me surpreende, em às vezes está bem perto e profundo. Não é sempre e nem com tudo. Mas quando vem, toma conta de tudo o que há. Esse olhar é diferente e faz ter a certeza de que tem algo a ser dito.

Às vezes, esse olhar é quase que literalmente olhos nos olhos, é perto, bem pertinho. Contudo, na maioria das vezes é um olhar que parece olhar sem ver. Mas ele, só parece ser assim, pois o dono desse olhar, me pega pela mão e me leva onde ele quer. Quando não vou a esse lugar, ele me puxa, me empurra e me impõe o seu querer. É um querer que ele tenta fazer não parecer como seu, se faz como um querer que passa pelo meu querer; pois é a minha mão que ele faz abrir a porta e não a dele. Mas note: é uma porta que está ali, que ele vê e que acha que precisa ser aberta, ele sabe como, mas não consegue fazer por si mesmo, tem que fazer por Outro. 

Esse olhar se fixa em mim, mas é rápido, bem rápido e que parece fugir quando chamo seu nome. Seu dono prefere continuar enfileirando seus carrinhos um a um repetidamente, a olhar para a direção da minha voz. Paro de chamar, começo a conversar com ele sobre as coisas da vida, sobre uma música que acho bonita, um capítulo da novela ou um acontecimento do dia que achei interessante, pergunto qual a sua opinião e no silencio, ofereço uma réplica dizendo minha opinião sobre o tema que eu estiver falando, sempre considerando que ali há uma pessoa que tem sentimentos, pensamentos e opiniões, e como tal, podemos dialogar. E assim continuamos sem cruzar nossos olhares. Eis que surge no meio da conversa, que num primeiro olhar mais parece um monólogo, um novo olhar; acompanhado de um virar de cabeça e uma expressão de surpresa (alguma coisa que falei chamou sua atenção!), abre a boca como se fosse dizer alguma coisa, chega a levantar seu tronco para cima e respirar fundo, no entanto, como num relance esse olhar de interesse e surpresa foge novamente, como se não pudesse se mostrar. Continua a enfileirar os carrinhos um a um.

Talvez esse olhar, perdido no horizonte, seja justamente uma dificuldade de se sustentar como uma pessoa que vê; como uma pessoa que quer ver o mundo mas que acha que por algum motivo não pode mostrar como vê o que vê. E uma coisa é certa: ele vê e muito bem e em alguns casos, até melhor que muita gente! Contudo, percebo que por algum motivo, seu olhar evita mostrar os efeitos que o mundo tem sobre ele enquanto um sujeito que vê, (e com isso não estou falando só da visão, mas também da audição do tato...).

Um olhar que parece literal: consegue apontar e identificar as coisas “do jeitinho que elas são”, que não dá espaço para a abstração e o equívoco. Parece que para as coisas serem reconhecidas e consideradas elas não podem ter sentidos mas sim significados. Como se as coisas não pudessem sair do seu padrão, ou em outras palavras, da sua função inicial. Mas... porque será que o dono desse olhar faz as coisas predominantemente na base do significado e tem dificuldade de construir os próprios sentidos na linguagem? Porque será que há pouco espaço para o equívoco, a dúvida, o erro e a mudança? Do que será que ele tem receio? Porque será que não pode mudar de caminho e percurso? Porque será que novos caminhos são tão evitados e parecem fazer tão mal aos donos desses olhares. Algumas vezes, o olhar distante no horizonte, se transforma em pavor, um pavor que parece revelar um medo do que pode acontecer se ele mudar e que talvez por isso, esse olhar tende a manter-se sempre no mesmo lugar.

A cada vez que ouço alguém dizer que esse olhar, distante no horizonte, não foi sempre assim, tenho mais certeza de que há algo nesse olhar que se perdeu mas que ainda pode ser recuperado. 

Eu aposto nesse olhar que nem sempre é assim, perdido; que muda e nós sabemos disso e sabemos também que não muda para tudo nem para todos. Esse olhar de antes, continua ali, mas já não é tão frequente, embora ainda seja presente, às vezes esse olhar diferente acaba tornando-se algo já muito raro de se ver, mas que ainda pode ser visto, não sem esforço. È preciso construir um novo modo de olhar, para que então àquele olhar diferente possa se deixar perceber novamente.




segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Avaliação psicológica no contexto de cirurgia bariátrica


Por: Glenda Almeida Pratti




A avaliação psicológica de pacientes candidatos à cirurgia bariátrica é uma prática recente e necessária. A presença obrigatória de psicólogos em equipes de cirurgia bariátrica foi oficialmente instituída por meio da resolução nº 1766/05 do Conselho Federal de Medicina. Esse procedimento de avaliação tem como função verificar as condições psicológicas do candidato à cirurgia analisando se o mesmo encontra-se apto a lidar com as mudanças às quais será submetido na fase pré e pós-cirúrgica. Muitos pacientes não sabem que a avaliação psicológica realizada para esse fim vai muito além da identificação da aptidão momentânea para a cirurgia. 

A cirurgia bariátrica é uma intervenção realizada no aparelho digestivo para reduzir o reservatório gástrico. É um procedimento indicado a pacientes para o tratamento da obesidade visando a redução de peso. Esse tipo de intervenção acarreta numa reorganização da vida da pessoa em grandes proporções impondo a ela, dentre outras mudanças, uma nova rotina de hábitos cotidianos que começam no período pré-cirúrgico e se estendem durante toda a vida, além de interferir na imagem corporal que a pessoa tem de si. Essas mudanças incluem alterações no modo como a pessoa lida com o próprio corpo, com a comida, com o prazer e também no modo como se relaciona com as outras pessoas. Alterações essas que nem sempre são fáceis de realizar, mas principalmente, não são fáceis de sustentar da forma necessária. Assim, avaliação psicológica tem como finalidade identificar se o paciente em questão reúne recursos psicológicos para lidar com todas as etapas desse processo. 

Desse modo, a indicação é de que o paciente, candidato à cirurgia, receba acompanhamento psicológico em todas as etapas do processo e não apenas na fase anterior à cirurgia. Isso significa dizer que a avaliação não termina após a identificação da aptidão inicial do paciente para a intervenção e deve se estender para o período pós-cirúrgico, no qual se encontram os maiores desafios.

A forma como é realizada a avaliação psicológica para cirurgia bariátrica pode variar de acordo com o profissional. Em geral, a primeira fase de avaliação é realizada em algumas sessões, no entanto, o acompanhamento deve ser continuado durante todas as fases do processo. Ressalta-se também que o intercâmbio entre os profissionais que estão acompanhando o paciente (médicos, nutricionistas, psicólogos etc.) é indispensável.

O ganho de peso muitas vezes está ligado a causas emocionais e afetivas e não necessariamente a um descontrole comportamental como alguns creem. O ganho de peso pode ser relacionado ao modo como se lida com o prazer, a frustração e/ou a angustia. Sendo assim, a submissão a uma cirurgia complexa como a bariátrica sem o suporte profissional continuado necessário para trabalhar as questões psicológicas ligadas ao ganho de peso não é indicada.















Crianças também tem problemas


Por: Glenda Almeida Pratti


Com a volta às aulas, é comum ouvir que pais e responsáveis concentram suas preocupações em dois focos: na escolha da instituição onde suas crianças serão educadas e também, na compra do material escolar que será utilizado por elas. No entanto, pouco se ouve sobre a preocupação com implicações que os comportamentos e posturas de pais e responsáveis podem ter sobre os problemas que as crianças podem vir a apresentar durante o seu percurso educacional. Por isso é importante chamar atenção de como os adultos estão lidando com a fase posterior ao ingresso do aluno na escola, ou seja, com o cotidiano de suas crianças.


As dificuldades, desafios e conflitos não aparecem só na vida adulta, eles também aparecem ao longo do processo de desenvolvimento dos pequenos. A rotina infantil é cheia de desafios cuja ultrapassagem proporciona a preparação para a vida adulta. Para isso, é muito importante que as crianças tenham em casa um espaço de diálogo, interesse e escuta sobre suas atividades e rotina. Contudo, muitos pais não acreditam que crianças enfrentam problemas e dificuldades em seu cotidiano, pois nutrem uma crença de que a vida infantil é “simples”, e que dessa forma, os problemas da infância não se caracterizam como “problemas de verdade”. Esse tipo de crença direcionam os pais a adotarem, diante das dificuldades de seus filhos, posturas que ignoram ou negam a existência de questões e conflitos nessa fase. Posicionamentos desse tipo podem ter efeitos negativos no desenvolvimento da criança, tais como: insegurança e baixa autoestima - já que a criança pode interpretar que só ela tem problemas e que sua capacidade de lidar com eles é aquém a capacidade das outras crianças; isolamento familiar - aos poucos a criança perde a confiança que tem na família, deixa de contar sobre a sua rotina, omite eventos importantes de sua vida e pode, inclusive, mentir sobre seus fracassos e frustrações por temer recriminações de seus responsáveis. 

Sendo assim, é importante lembrar que a compreensão e o apoio de pais e responsáveis tem papel fundamental na formação infantil. É na infância que as crianças experimentarão seus primeiros conflitos podendo assim construir e amadurecer recursos para lidar com os desafios, as dificuldades e frustrações tão comuns na vida do ser humano. Desse modo, faz-se necessário que pais ou responsáveis reflitam sobre como estão escutando suas crianças e o que estão fazendo com aquilo que ouvem. Pois, em muitos casos, são as próprias dinâmicas familiares que contribuem para o surgimento de questões psicológicas nas crianças.













segunda-feira, 30 de junho de 2014

Agora também é possível entrar em contato comigo pelo WhatsApp através do número 27998180748.
Atenciosamente, 

Glenda Almeida Pratti
Psicóloga e Psicanalista

domingo, 30 de março de 2014


Entrevista concedida em 09/12/2013 sobre alterações nos relacionamentos a partir do uso de redes sociais.


sexta-feira, 12 de julho de 2013

Entrevistas sobre relações sociais virtuais

A psicóloga Glenda Almeida Pratti em entrevista concedida ao programa "café com Leite" da TV Capixaba em 09/10/2012 sobre o tema "relações virtuais e afetividade na internet".
 

Entrevista sobre vício por celular

A psicóloga Glenda Almeida Pratti em entrevista concedida ao "programa café com leite" na TV Capixaba em 03/10/2012 sobre o tema "vício por celular".

 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Consultório de Psicologia e Psicanálise em Serra (Feu Rosa) ES.




Sou psicóloga e psicanalista, formada pela Universidade Federal do Espírito Santo (2008), mestre em Psicologia pela mesma universidade (2011). Atualmente sou graduanda em Filosofia e desenvolvo estudos sobre cognição social, linguagem, epistemologia da psicologia, filosofia da mente e Psicanálise.

Há mais de cinco anos atuo como psicóloga clínica em Vitória e Serra atendendo crianças, adolescentes, adultos e idosos.
Tenho experiência no acompanhamento de pessoas que apresentam transtornos, mentais, comportamentais, emocionais ou do desenvolvimento psicológico, além do tratamento de problemas psicológicos tais como: quadros de ansiedade, disturbios alimentares, depressão, traumas, dependência química, dentre outrosAtuo também no acompanhamento psicológico de pessoas com necessidades especiais cujo foco é a reabilitação neurocognitiva e funcional visando a inclusão e o desenvolvimento de uma maior qualidade de vida e independência nos diversos âmbitos sociais. 

Atualmente sou psicóloga voluntária da AMAES - Associação dos Amigos dos Autistas do Espírito Santo, pesquisadora e psicóloga clínica. Para melhor atender meus pacientes, possuo dois consultórios um em Vitória, no bairro Santa Lúcia, e outro  no município da Serra, no bairro Feu Rosa, nos quais realizo atendimentos clínicos individuais, familiares e também desenvolvo grupos terapêuticos.



O presente blog, tem como objetivo focar na divulgação do consultório situado no município da Serra. A estruturação do CONSULTÓRIO DE PSICOLOGIA E PSICANÁLISE GLENDA ALMEIDA PRATTI em SERRA, ES, visou suprir a demanda por atendimentos de psicologia e psicanálise existente no município, principalmente dos bairros que se encontram mais distantes dos principais centros comerciais onde há oferta desse tipo de serviço.



Observa-se que o município da Serra é carente no que se refere a especialidades como atendimento psicológico, fonoaudiológico, terapia ocupacional dentre outras o que significa que seus moradores precisam muitas vezes buscar atendimento em bairros distantes de suas residencias ou até mesmo em outros múnicipios a exemplo de Vitória e Vila Velha. Escolhi o bairro Feu Rosa como sede do meus segundo consultório por se tratar do maior bairro do estado e se localizar próximo a outros bairros pouco contemplados com a disposição de serviços de psicologia. Assim, o CONSULTÓRIO DE PSICOLOGIA E PSICANÁLISE GLENDA ALMEIDA PRATTI em SERRA fica na rua dos Eucaliptos, nº11, sala 02, em frente a praça principal do bairro Pedro Feu Rosa.



Desse modo, a proposta deste Consultório é oferecer atendimento psicológico e psicanalítico voltado para crianças, adolescentes e adultos das regiões próximas ao bairro, tais como: Castelândia, Vila nova de Colares, Nova Zelândia, Portal de Jacaraípe, Jacaraípe, Nova almeida, além de outros bairros da Serra, preenchendo desse modo a lacuna no que se refere a essa especialidade na região.